O som de guitarras distorcidas evoca, de imediato, o bom e velho espírito Rock and Roll. E não podia ser diferente. Desde que o rock é rock a distorção está lá, como uma fera, grunhindo sua selvageria pelos alto-falantes mundo afora.

Sejamos sinceros: não há rock sem distorção, esta que é, na minha opinião, a característica principal que define o gênero.

Desde Chuck Berry a abrir o seu Johnny B. Goode aos riffs do Tom Morello no Rage Against The Machine, a distorção é o fator estético que definiu o som da guitarra no rock e em seus subgêneros.

Distorção: como surgiu o som da destruição

Não estamos a brincar quando comparamos distorção a destruição. A distorção não surgiu apenas da sobrealimentação violenta do sinal limpo da guitarra mas também da destruição de equipamentos de amplificação, às vezes de forma muito pouco acidental. Vamos conhecer esta história cheia de abusos e instrumentos cortantes.

Inicialmente, as guitarras só tinham o seu som distorcido aumentando o volume dos amplificadores a válvulas, que saturavam de tal maneira que o som saía sujo e violento. Se para alguns isto era uma aberração, para outros isto foi uma oportunidade de tornar o seu som mais agressivo e diferente. Reza a lenda que o primeiro distorcedor consciente foi um guitarrista country chamado Junior Barnard, que esticou os limites do seu material até conseguir obter o primeiro overdrive da história, nos anos 40. Ou seja, empurrou o sinal da sua guitarra para além dos limites da onda criada originalmente pelo amplificador, quebrando-os.

Barnard inspirou outros guitarristas a procurar esse som agressivo e bem cozinhado pelas válvulas do amplificador no limite, e Sam Phillips, o homem que nos apresentou Elvis Presley na gravadora Sun Records, estava atento quando um amplificador estragado antes de uma sessão de gravação em 1951 lhe deu o som para o Rocket 88, com Ike Turner, considerado por muitos a primeira música do rock’n’roll. A ideia da distorção já passeava pela mente de Phillips que, como pioneiro que era, não perdeu tempo e mudou o mundo da música para sempre.

Mas se o som distorcido nasceu de equipamentos estragados, houve aqueles que deliberadamente quebraram seus amplificadores para fazer mais “barulho”. Link Wray furou o cone do seu amplificador com um lápis para obter o efeito que podemos ouvir numa das faixas mais icônicas do rock’n’roll, a apimentada Rumble. Na época, as pessoas acharam o som tão agressivo que decidiram proibir a música de tocar na rádio, tudo pela paz social.

Não chega a ser uma porrada nas orelhas, não é?

Na sequência, foi a vez de Dave Davies, guitarrista e vocalista do The Kinks, estragar um inocente amplificador com uma lâmina de barbear. O resultado? You really got me now – um dos maiores clássicos do rock.

Mas como a maioria dos músicos não se podia dar ao luxo de esfaquear seus amplificadores, houve um senhor engenhoso que pegou um circuito avariado de um amplificador ruidoso e recriou o efeito. Mas, desta vez, a distorção poderia ser ligada e desligada com o simples toque em um botão. Assim nasceu o primeiro pedal de distorção: o Maestro FZ-1 Fuzz-Tone, da Gibson, em 1962. Keith Richards, com o riff inicial da Satisfaction, tornou o Fuzz-Tone um ícone da música.

Em pouco tempo, outros pedais de distorção apareceram no mercado. Entre os primeiros utilizadores estava Jimi Hendrix, que notou o potencial dos amplificadores e dos pedais distorcidos para a música.

Depois de Hendrix, o resto é história. Led Zeppelin, Black Sabbath, Ramones, Iron Maiden, Metallica… a lista continua até hoje.

Viva o rock! Viva a distorção!

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