Existe uma variedade muito grande de madeiras que podem ser usadas na construção de guitarras e outros instrumentos. As madeiras proporcionam uma gama extensa de timbres: abertos, fechados, com mais ataques, graves, médios, agudos… Por isso, para saber escolher qual é a madeira ideal para a construção de uma guitarra, é preciso, antes, ter em mente o timbre que se busca.

A escolha da madeira deve ser feita com critério. O timbre de uma guitarra é composto pelo conjunto do instrumento: madeira, captadores, cordas e até mesmo a pegada do guitarrista.

Em geral, o que determina uma boa sonoridade é a densidade e o tipo de fibra da madeira, não o seu peso. Existem madeiras que são leves e possuem altas densidades – como é o caso da madeira
Ash, que é que pode ser encontrada com pouco peso e alta densidade. Em resumo, o que determina a variação de timbre entre as madeiras é a densidade.

O tipo de madeira e a estética da guitarra

A madeira também é responsável pelo visual do instrumento, principalmente em guitarras com acabamento translúcido. Por isso, um instrumento “top de linha” com madeira chamativa custa mais caro do que um instrumento pintado (isso é uma regra, mas existem exceções).

Instrumentos pintados tem na maioria das vezes corpos divididos em diversas partes. Em corpos de guitarra com acabamento natural, deve ser usado, no máximo, duas peças de madeira. Isso se faz necessário para que o resultado estético não seja comprometido com a presença de muitas junções.

Alguns fabricantes de guitarra chegam a usar um único pedaço de madeira para fazer o corpo e o braço do instrumento.

Os tipos de madeira mais usados na construção de guitarras

1. Ash: o ash tem origem na Europa e na América do Norte. Tem um bom corpo sonoro e
proporciona bons agudos. Foi muito utilizado nas primeiras guitarras da Fender. Ainda são muito empregadas na construção de guitarras ao redor do mundo.

2. Swamp Ash: também é originário da Europa e América do Norte. É uma madeira semelhante ao Ash, mas devido à variações climáticas, apresenta em cada região do planeta diferentes propriedades de peso e densidade. O timbre possui um pouco menos de brilho, mas traz um pouco mais de atraque.

3. Alder: o alder é encontrado na Europa e na América do Norte. É utilizado pela Fender desde 1956. É uma madeira bem equilibrada. Adapta-se bem a qualquer tipo de captação.

4. Ebony: o ébano é natural da África e da Ásia. Trata-se de uma madeira escura e rígida. Muito utilizada na fabricação de escalas. Infelizmente esta madeira já está praticamente extinta e com leis seriíssimas de restrição de corte.

5. Maple: originário da América do Norte e Europa. É uma madeira muito estável e muito utilizada na indústria de instrumentos para a confecção de braços e escalas, pois suporta bem a pressão das cordas. A Fender é conhecida por utilizar essa madeira desde a fundação da empresa.

6. Mogno: natural das Américas Central e do Sul. Trata-se de uma madeira bastante pesada, mas que possui um som encorpado e rico em sustain. Por causa de suas características, é muito utilizado pela Gibson na construção das famosas guitarras Les Paul e SG.

7. Rosewood: originária da Ásia. Muito utilizada na confecção de escalas.

8. Jacarandá da Bahia (Brazilian Rosewood): é considerada a rainha das madeiras para instrumentos musicais. Por muito tempo foi a principal escolha para a confecção de escalas. Atualmente, devido ao processo predatório, tem sido protegida pelo governo brasileiro. O Jacarandá da Bahia também é muito empregado na construção de fundos e laterais de violões.

9. Basswood: possui madeira de densidade média. É largamente utilizado para construção de corpos. Tem um grave equilibrado e um agudo pronunciado o que faz dela uma excelente escolha para construção de uma guitarra versátil.

10. Walnut: é uma madeira densa que possui um timbre morno e beleza única. Graças a sua estabilidade e resistência é frequentemente empregada como complemento estrutural de braços (os famosos “filetes”).

11. Cedro: o cedro é muito utilizada em instrumentos construídos no Brasil. É mais barato do que as outras apresentadas aqui, porém, também tem suas qualidades. Sua sonoridade é equilibrada, oferecendo bons graves, médios e agudos, mas nada com muito peso.

12. Koa: madeira muito bonita, exclusiva do Hawaii e por conta disto a oferta é muito limitada. Seu peso varia um pouco de médio para pesado e é uma excelente madeira para corpos de contrabaixos. A Koa tem um som quente semelhante ao mogno, mas com um pouco mais de brilho.

13. Korina: nos anos 50, quando a Gibson criou as lendárias Flying V e Explorer, esta era a madeira tropical usada. É uma madeira com um som quente, com boa ressonância e bem balanceada. Possui bastante definição e sustain, além de um som com bom brilho.

14. Auracária: é considerada por alguns luthiers uma das melhorres madeiras brasileiras para tampos de violão. Pode ser usada no corpo e no braço.

15. Canela: madeira moderadamente pesada, com cor que varia do amarelo ao marrom. Pertence ao mesmo Gênero da Imbuia e diferencia-se da canela preta por ser menos densa. Possui um timbre bem agudo com bastante médio grave.

16. Freijó: trata-se de uma madeira de peso moderado, média granulação, tem brilho e é boa de trabalhar. É bastante utilizada por luthiers do Brasil, possui um bom timbre médio e médio-grave, possui densidade e velocidade de propagação do som bem próxima ao Ash.

17. Imbuia: moderadamente pesada e bastante estável, de cor muito variada, indo de um tom amarelado ao marrom escuro, pouco porosa e muito dura. Esta madeira é da família das “canelas”, sendo muitas vezes confundida com a canela preta. Seu timbre é agudo com bastante médio grave. Comumente é utilizada como top para equilibrar instrumentos construídos com madeiras mais leves.

18. Marupá: madeira de baixa granulação, clara leve e ressonante, baixa densidade, sem veios, timbre bem articulado com agudos e graves bem balanceados, e também possui uma ótima velocidade do som. É indicada para corpos de guitarra, especialmente stratocasters e telecasters que pode ter um timbre e peso de uma guitarra vintage (a Tagima utiliza, bem como diversos luthiers).

19. Muirapiranga: é uma madeira pesada, dura e de grande resistência. Possui cor vermelho forte, podendo variar até um laranja avermelhado. Possui uma boa sonoridade e dá um ótimo equilíbrio entre médios e agudos. Em escalas e braço produz som limpo, com bom sustain e com bastante brilho.

20. Pau-ferro: tem um aspecto parecido com o do Jacarandá Indiano. Madeira dura e resistente, possui desenhos e coloração variados. Usada geralmente para fundos e laterais e escalas, ficou mais conhecida pelo uso em laminados como folha decorativa. Produz instrumentos de boa sonoridade, com um timbre mais brilhante que o jacarandá, com excelente sustain e bom acabamento. Muito utilizada em escalas.

O corte das madeiras para guitarra

O corte da madeira também influencia o timbre da guitarra. Por exemplo, do ponto de vista de produção, é mais fácil cortar a madeira priorizando o aproveitamento do tronco. As fábricas que produzem dessa forma, valorizando produção ao invés de timbre, costumam também aparafusar o braço no corpo para facilitar a construção. De um lado, perde-se qualidade e sustain, mas de outro ganha-se um menor custo final e preço mais acessível – sem falar que braço parafusado é mais fácil de substituir e de manter. O corte da madeira deve ser radial.


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