O Lava Me 2 é um violão de viagem, feito em uma única peça – monobloco de fibra de carbono -, com efeitos como reverb, delay e chorus integrados ao corpo.

Recentemente, fui surpreendido por uma nova empresa de violões chamada Lava. Trata-se de uma empresa sediada em Hong Kong que pretende introduzir seu violão “reimaginado” nos mercados do ocidente.

Molde dos violões Lava Me 2.
Molde dos violões Lava Me 2.

Encantado com a promessa da empresa – um violão que não tem medo de sofrer com o clima – resolvi adquirir um modelo Lava Me 2. O violão chegou rapidamente. Ao desembalar, encontrei um estojo – bag para os amantes de anglicanismos – contendo um violão Lava Me 2 preto fosco e um cabo micro USB. O violão, para o meu regozijo, veio com cordas Elixir.

Violão Lava Me 2 – primeiras impressões

Para ser franco, não estava esperando muito do violão. Talvez por puro preconceito aos xing-lings, talvez pela desconfiança quanto ao material usado na fabricação do produto. De qualquer forma, fiquei feliz com a utilização das cordas Elixir, embora isso possa ser um jogada da marca para tentar “reduzir” a ruindade do produto com o som agradável e bem pronunciado que os encordoamentos daquela marca entregam. Sim, mesmo após abrir a caixa e encontrar a marca Elixir no violão, eu ainda estava com um pé atrás em relação ao Lava Me 2.

Ah! O estojo ou bag é de boa qualidade. Mas não dá para confiar em demasia.

Case do Lava Me 2.
Estojo / bag / case. Nunca confie demais.

O violão é super leve. Embora eu já soubesse que uma das características mais marcantes da fibra de carbono seja a leveza – sou fã de carros e de automobilismo -, minha mão e meu braço direito puxaram o violão como se fosse de madeira e, após a constatação do peso real, fiquei surpreso e ansioso quanto à durabilidade do mesmo.

De início, eu não sabia para que era o cabo USB, mas rapidamente descobri onde conectá-lo. Vi uma pequena luz indicadora de carga acender e esperei. Acontece que o que eu estava carregando era um controle de efeitos acústicos embutido no corpo do Lava Me. É provavelmente a característica mais legal que já encontrei em um violão.

Cores do Lava Me2.
As cores disponíveis para o Lava Me2.

Outra primeira impressão: leva algum tempo para se acostumar com o braço de fibra de carbono. Como a maioria dos guitarristas, estou acostumado a deslizar a mão pela madeira – de preferência com acabamento satin -, e fiquei um pouco incomodado de início. O braço – e a sensação das cordas contra a escala – é muito diferente do que estou acostumado. Embora o espanto inicial já tenha diminuído, acredito que ainda levará muito tempo para que eu me acostume com isso.

O braço é bem reforçado.

Na caixa do violão eu ainda encontrei três palhetas de espessuras variadas. A marca chama essas palhetas de ‘escolhas perfeitas’, mas eu não percebi nenhuma diferença substancial em comparação com minhas outras ‘escolhas perfeitas’ (geralmente uso palhetas Tortex da Dunlop). Contudo, gostei de uma das palhetas fornecidas pela Lava: trata-se de uma palheta triangular grande. No geral, as palhetas são uma boa adição.

Violão Lava Me 2 – o som

Não adiante ser moderno e fabricado de fibra de carbono se o som for uma bosta porcaria. Isso faria ruir qualquer esperança da marca de encontrar o sucesso entre os violonistas amantes de tecnologia. Antes de tocar o violão, fiquei nervoso: será que joguei dinheiro fora?

Depois da primeira palhetada tive a resposta: o som do Lava Me 2 é muito bom. Aliás, espantosamente bom. E eu sequer tinha ligado qualquer efeito.

Fiquei extremamente impressionado com a plenitude do som e com o volume que ele proporcionou. Eu sou um defensor de longa data de violões acústicos construído com boa madeira sólida e nunca gostei das versões “baby” ou “traveller” que pude experimentar. Sempre senti que os violões “mini” deixavam a desejar na única questão que não pode ser comprometida: o som. Mas, este violão de fibra de carbono, de alguma forma, alcança um som mais completo e rico do que muitos violões de madeira – embora a comparação não seja justa nem inteligente. Minha única reclamação aqui é que, embora o som esteja extremamente cheio, com bons graves e agudos, há uma falta de profundidade. Acredito que isso se deva ao material empregado. De qualquer forma, madeira é madeira e fibra de carbono… não é madeira. É óbvio que o som é diferente. Mas esse diferente não é ruim.

Violão Lava Me 2 – os efeitos

Uma das principais características deste violão é seus efeitos embutidos, ou seja, não há necessidade de conectar um amplificador para desfrutar dos efeitos. É uma adição realmente inovadora.

Controle dos efeitos do violão Lava Me 2.
Controle dos efeitos.

Se você estiver tocando em volumes baixos a moderados, os efeitos serão claros e perceptíveis. Você não tem muito controle com os três botões (nobs), mas tem o suficiente para se divertir e inventar sons novos.

Os efeitos que você obtém são delay e chorus, mas você pode diminuir o delay para atuar como mais um reverb. O reverb é um pouco misto. Notei um pouco de ruído ao tocar as cordas com mais força.

Embora divertidos, acredito que no futuro esses efeitos possam ser aperfeiçoados e diversificados. Veremos.

Conclusão

O violão Lava Me 2 é uma ótima pedida para ser o seu instrumento de viagem – quando isso voltar a ser possível, claro. Afinal, o levíssimo Lava não será afetado pela diversidade de climas do nosso país: suba e desça a serra, leve-o à úmida amazônia, toque na noite estrelada e seca do sertão nordestino, vá à praia e seja abençoado pela maresia. Desde que você não afogue a caixa de efeitos do Lava Me 2, tudo é possível.


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No Brasil, o Lava Me 2 está sendo distribuído pela Royal Music.

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Guitarra Club

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